Lobo mau e os porquinhos
Por: Gislene Goulart
Data de Publicação: 11 de maio de 2009
Os noticiários, na última quinzena, apresentaram dados sobre a Gripe Suína que despertaram temores ao redor do mundo. A iminente pandemia levou a reações extremas em certos países como o Egito que decidiu sacrificar todos os porcos do país, animal considerado impuro pela religião islâmica.
Apesar de a Organização Mundial da Saúde manter o alerta máximo em relação ao vírus H1N1, Sílvio Bernardes, veterinário, Terapeuta Natural e professor das Faculdades Adventistas da Bahia, comenta que o vírus parece apresentar-se enfraquecido longe de sua cepa doméstica (México). Por exemplo, das 30 mortes recorrentes da Influenza A (conforme relatório da OMS em 6 de abril) apenas uma ocorreu fora do México. E esta exceção foi de uma pessoa que viajara do país mexicano para os Estados Unidos.
Doutor Bernardes explica que a verdadeira razão pela qual acontece mutação de vírus provindo de animais é por causa das grandes criações de indústrias alimentícias. Lá “porcos comem porcos”, declara professor Sílvio. As rações são compostas por “raspas de ossos de porco, galinha morta e fezes de galinha, por que são altamente nutritivos”. Comendo rações canibalescas e propensos a uma saúde frágil de porcos confinados em granjas, surge “um conflito nas bactérias e vírus do animal, ocorrendo as mutações genéticas”.
Doutor Sílvio alega que “o vírus é transmitido aos seres humanos pelo contato com as fezes do animal”. Contudo, quando o vírus é alojado no corpo humano ele passa a ser uma doença humana. E acrescenta “o nome dado a gripe é uma ingratidão ao porco”.
O Brasil, como quarto maior produtor e exportador de carne suína do mundo, mantendo negociação com 73 países, teve seu comércio diretamente atingido. Os criadores de suínos convenceram o governo a alterar oficialmente a nomenclatura de gripe suína para Influenza A. E já estão planejando uma campanha publicitária para aumentar em dois quilos o consumo da carne per capita até 2011. A campanha tentará usar a "exposição espontânea" do produto, mesmo associado à gripe, para modificar a percepção do consumidor. Enquanto nos porquinhos surge o vírus da gripe, no homem, o lobo mau da história, desenvolve-se a doença da ganância capitalista.
Com tal demanda de carnes congeladas o ciclo da produção de porcos, por exemplo, que dura 140 dias, entre o nascimento e o abate, será cada vez mais intenso. Juntando-se ao aumento da movimentação de pessoas através do globo, resistência progressiva de novas cepas frente a antibióticos e anti-virais, qual será a propensão de extinguir o surgimento de novos vírus mutantes? Depois da Vaca Louca, da Gripe do Frango, da Gripe Suína, qual será o próximo bicho?
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