Compreende-se que a sala de aula e a metodologia nela aplicada, bem como todo o ambiente escolar, devem proporcionar as condições necessárias para que os traços semelhantes aos da natureza amorosa de Deus se desenvolvam no educando durante todo o processo educacional ou tempo sob sua influência.
Isso implica que todos os agentes educacionais estejam capacitados para esta obra e conscientes de que seu exemplo assume um papel da maior relevância, colocando-os diante da necessidade de viverem o que crêem e aquilo pelo qual lutam, a saber, a prática de uma pedagogia redentora e restauradora.
Entende-se, também, que a prática educativa é sempre construída sob uma visão de homem e de mundo. A metodologia é, portanto, um elemento fundamental, uma vez que nela se pressupõe a integração dos nossos objetivos e processos que sinalizam a direção e o caminho que se precisa seguir para que o plano de trabalho institucional venha a se tornar realidade.
Dessa maneira, o IAENE não adota um único método de ensino, mas se utiliza de metodologias diversificadas (trajetórias), considerando a necessidade de sistematização de ações e procedimentos orientados a partir de objetivos gerais, a seleção e aplicação atrelada a uma concepção metodológica mais ampla do processo educativo e utilização de diferentes meios.
A metodologia de ensino e aprendizagem do IAENE pauta-se pelas concepções filosóficas e pelos objetivos a que se propõe. Isso não significa que o educador não terá um modelo de ensino, pois cada um possui habilidades próprias e para cada realidade educacional existem práticas diversas, costumes e idéias produzidos socialmente. Entretanto, existe uma base metodológica comum que sustenta e promove a unicidade e identidade da instituição educacional.
Propõe-se, portanto, uma linha pedagógica histórico-crítica utilizando princípios pedagógicos úteis para um como fazer qualitativo em educação. Assume-se a necessidade de respaldar essa linha com procedimentos e técnicas coerentes que observem os seguintes princípios metodológicos:
I. Autonomia - a autonomia moral e intelectual é uma capacidade a ser desenvolvida pelos alunos, e seu desenvolvimento se dá em função de uma prática educativa exercida coerentemente com essa finalidade. A autonomia refere-se à capacidade de saber fazer escolhas e de posicionar-se, elaborar projetos pessoais e participar anunciativa e cooperativamente de projetos coletivos, ter discernimento, organizar-se em função de metas eleitas, governar-se, participar da gestão de ações coletivas, estabelecer critérios e eleger princípios éticos, etc.
II. Contextualização e conhecimento da realidade do estudante como ponto de partida - se verifica a partir da realidade do próprio aluno e sua experiência como agente dessa realidade, visto que todo conhecimento é socialmente comprometido e não há conhecimento que possa ser aprendido e recriado se não parte das preocupações que as pessoas detêm. Esse fato proporciona aos professores a oportunidade de adaptar sua metodologia levando em conta a realidade do aluno, contextualizando sua abordagem e conseqüentemente facilitando a compreensão dos elementos envolvidos. Parte-se do pressuposto de que toda aprendizagem significativa implica uma relação sujeito-objeto e que,para que esta se concretize, é necessário oferecer as condições para que os dois pólos do processo interajam.
III. Espírito cooperativo/participação - o espaço escolar deve proporcionar relações de cooperação como excelente oportunidade para o desenvolvimento contínuo do conhecimento e da formação do caráter. Trabalhos em grupo, envolvimento em projetos de auxílio à comunidade e participação ativa dos estudantes no apoio aos seus pares são algumas das alternativas aplicáveis a este princípio.
IV. Estímulo ao espírito de investigação, reflexão e criatividade – é tarefa docente estimular e orientar os alunos a procurar respostas para suas indagações, através de procedimentos como a pesquisa, que estimule o raciocínio, a reflexão e a criatividade. Assim, não colocará a mente do estudante sob seu controle, mas contribuirá para o desenvolvimento da autonomia intelectual e dos aspectos estéticos.
V. Integração fé e ensino – professores e alunos são levados a refletir sobre todos os aspectos da realidade, numa perspectiva cristocêntrica. O objetivo é levar os estudantes a internalizar voluntariamente uma visão da vida orientada para o serviço, motivada pelo amor.
VI. Interação afetiva – a relação afetiva é um dos aspectos educativos de vital importância. Pela conquista do coração obtém-se a amizade e contribui-se para uma auto-estima positiva, essencial ao crescimento da personalidade. Desenvolve-se, assim, o sentimento de aceitação, segurança e inter-relacionamento com os semelhantes.
VII. Interdisciplinaridade e transversalidade - a interdisciplinaridade deve ser compreendida a partir de uma abordagem relacional, em que se propõe que, por meio da prática escolar, sejam estabelecidas interconexões e passagens entre os conhecimentos através de relações de complementaridade, convergência ou divergência. A transversalidade acontecerá a partir do cotidiano, estabelecendo uma relação entre o que se aprende na escola e o que acontece todos os dias no ambiente situado fora dela, visando fortalecer a dignidade humana, sendo a filosofia educacional cristã o grande eixo norteador, são, portanto, base para a conquista da formação integral dos nossos alunos.
VIII. Preparo para servir – vemos o serviço como elemento essencial através do qual é possível curar a alienação entre as pessoas. O serviço a outros, não é entendido como subserviência nem como humanitarismo altruísta, mas como essência do amor cristão e caráter semelhante ao de Cristo. Tal educação se propõe a oportunizar situações para que professores e alunos sirvam aos semelhantes em suas respectivas comunidades.
IX. Relação teoria-prática - teoria e prática não são, na concepção do IAENE, duas fases, mas elementos de um círculo harmonioso. Aprende-se fazendo, faz-se aprendendo. Compreende-se a importância da aplicabilidade dos temas estudados em sala de aula, tendo em vista que o conhecimento teórico sem o conhecimento prático quase nada contribui para o sucesso do aluno.
X. Respeito à unicidade do estudante – deve-se reconhecer e respeitar a individualidade, unicidade e valor de cada pessoa. O respeito à individualidade não deve negar a importância do grupo. A sala de aula não deve ressaltar o individualismo, mas o respeito pela individualidade e pelo grupo.
XI. Senso crítico - mediante a argumentação e confronto de idéias. Isso se dá com a utilização de procedimentos de ensino capazes de proporcionar esse espaço e liberdade. Ademais, o senso crítico também é desenvolvido pelo aluno ao opinar sobre os diversos aspectos de sua formação inicial.
XII. Vivência de valores - toda experiência educacional é repleta de valores. A axiologia deve permear o currículo acadêmico e influenciar um viver coerente com os princípios básicos da ética cristã e da valorização do estudante como indivíduo e como membro de uma comunidade, com responsabilidades e direitos em relação ao meio ambiente, à vida e à família (KNIGHT, 2001 ).